segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

CAPÍTULO 4

- Ajuda, por favor... Disse o Homem de Lata, com voz sofrida.

Bucetélia viu aquele monte de lata cair com as duas mãos no peito.

- Ajuda...

- O que posso fazer?

- Ajuda...

A menina não aguentou. Começou a bater no peito do Homem de Lata loucamente. Aquilo parecia não surtir muito efeito. Ele continuava respirando com dificuldade, como se estivesse pra morrer.

Nesse instante, o vulto que antes assustara Bucetélia se aproximou e revelou sua face. Era um homem forte e peludo que empurrava duas cadeiras de rodas - cada uma empurrada por um braço. Atrás dele, um pequeno cachorrinho sem as patas traseiras o seguia. O animal tinha também uma espécie de cadeira de rodas improvisada, feita de latinhas de achocolatado em pó. O homem se aproximou e disse:

- Ele não tomou o remédio! Como pode Homem de Lata? Você sabe o risco de enfarte e morte súbita! Disse o homem num tom de desaprovação.

O homem aproximou-se e colocou uma pílula na boca do Homem de Lata. O remédio pareceu fazer efeito na mesma hora. Bucetélia apenas observava a cena. O sujeito começou a montar uma outra cadeira de rodas. E pediu:

- Você pode me ajudar a colocá-lo na cadeira?

- Claro!

- Vou precisar também que você nos ajude a chegar até o asilo. Fica bem pertinho daqui.

- Tudo bem. Eu vou por esse caminho mesmo. Disse, enquanto começava a empurrar a cadeira de rodas do Homem de Lata.

- Qual o seu nome?

- Bucetélia! E o seu?

- O pessoal me apelidou de Leão. Acho que é pelo fato de eu ser muito peludo e forte. Eu sou o diretor do Asilo de Oz.

- Ah, entendo. Por isso está ajudando essas pessoas. Qual o nome delas?

- Esse aqui à direita foi apelidado de Espantalho.

- Por que esse apelido?

- Foi encontrado caído num milharal. Teve um derrame. Virou praticamente um vegetal.

- Que triste! E ela?

- Dorothy. Bateu a cabeça por causa de um tornado que destruiu a casa dela e matou sua família. Ficou também em estado vegetativo. Coitada. Seu caõzinho Totó, que perdeu as pernas também por conta do tornado, ainda a segue por todos os cantos.

-Poxa vida! Disse Bucetélia, avistando o Asilo de Oz logo à frente.

- Chegamos! Obrigado pela gentileza.

- Era minha obrigação! Disse, sorrindo.

- Espere um segundo, eu já volto! Disse Leão. Foi até o interior do asilo e voltou com um casaco nas mãos.

- Para você! Deve estar sentindo frio.

- Nossa, não posso aceitar!

- Aceite! Uma moça como você não pode andar por aí seminua.

- Obrigada! Vou continuar minha jornada.

- Boa sorte! Espero que encontre o que tanto procura.

- Espero! Até mais!

- Até!

A jovem continuou caminhando. Já estava bem escuro. A sorte dela era o fato de uma linda Lua cheia iluminar aquela noite. Depois de umas duas horas de caminhada nossa heroína cansou. Avistou um gramado aconchegante ao lado de umas árvores e lá se deitou. Dormiu profundamente por mais ou menos umas 4 horas. O sono foi interrompido quando ela ouviu alguns passos de alguém que estava se aproximando.

- Está com fome?

- Chapeuzinho!

- Olá! Eu tenho um coelho aqui comigo. Que tal assarmos?

- Claro! Estou morrendo de fome. Você está me seguindo?

- Hummm... Mais ou menos. Algo me diz que devo lhe proteger de alguma coisa.

- Estou passando por momentos difíceis... Disse, enquanto seu semblante ficou cabisbaixo.

Chapeuzinho acendeu o fogo e começou a preparar o coelho. Tirou o manto que a envolvia e o seu capuz, exibindo um belo corpo e cabelos ruivos e longos.

- Tudo isso vai passar, eu prometo.

- É tudo o que mais quero. Preciso voltar para minha casa.

- Como é a sua casa?

- Você acredita se eu lhe contar que não lembro de nada? Só posso repetir que estava tomando banho num lago quando apareci nesse lugar. Porém, tem uma coisa no meu interior que me diz que devo tentar voltar para minha terra. Uma vez lá me lembrarei de tudo. É estranho esse tipo de amnésia.

- Tadinha de você. Toma um pouco desse vinho, fará você se sentir melhor...

- Adoro vinho. Obrigada! Tomou da bebida que estava num cantil. Suas bochechas morenas enrubesceram no mesmo momento.

- Delícia!

- Eu sabia que você ia gostar. Disse, enquanto arrumava o coelho num espetinho de madeira.

Pôs o animal para assar. Demorou um pouquinho. Enquanto isso, as garotas ficaram conversando sobre os medos, as angústias. Bucetélia contou as aventuras que tinha passado nas terras para ela desconhecidas. Chapeuzinho entrou no embalo e relatou seus feitos relativos à caça aos lobos.

As duas dormiram até o amanhecer.

- Bom dia!

- Bom dia! Como a manhã está linda.

- Sim, demais! Tenho que continuar minha jornada. O que há no fim dessa estrada?

- Dizem que há um mago muito poderoso que sabe de tudo.

- Se for assim, ele poderá me ajudar realmente.

- Acredito que sim.

Continuaram andando pela estrada.

- Chapeuzinho, você...

- Roooooooooooooaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrr!

Um lobo ainda maior do que aquele que havia atacado Bucetélia anteriormente apareceu à frente das duas.

- Proteja-se atrás de uma árvore Bucetélia! Darei um jeito nisso.

O lobo avançou em chapeuzinho, que demonstrou grande habilidade saltando para todos os lados. A garota dava rodopios, girava, saltava. O lobo tentou de todas as maneiras arranhá-la ou mordê-la. Ela tirou de dentro de uma bolsa uma espécie de estrelinhas de metal. Começou a jogá-las na direção do monstro. Acertou as pernas e as costas do bicho. O lobo, por sua vez, conseguiu atingir as costas de Chapeuzinho.

- Não! gritou Bucetélia, temendo pela morte da amiga. O lobo ouviu o grito e partiu na direção de nossa heroína. Ela correu para dentro da mata mas tropeçou e caiu. Como da primeira vez que avistou um lobo, pensou novamente que iria morrer. No entanto, Chapeuzinho apareceu de repente e pulou em cima do animal. Puxou uma faca com a lâmina afiada e degolou o lobo enquanto este se debatia. Muito sangue jorrou mais uma vez. Chapeuzinho saiu de cima do monstro e caminhou na direção de Bucetélia. A guerreira aparentava um cansaço tremendo.

- Preciso urgentemente chegar até minha casa, senão morrerei. Lá tenho o antídoto para o veneno que esse monstro desgraçado colocou em mim no momento que me arranhou.

- Onde fica sua casa?

- Fica a uns 3 km a Oeste daqui. Precisamos partir agora. Depois retornamos para a Estrada de Tijolos de Ouro.

- Vamos agora! Você salvou minha vida duas vezes, agora tenho que retribuir.

Bucetélia ajudou Chapeuzinho a caminhar. Entraram no meio da mata na direção Oeste.

- O veneno está me deixando sonolenta. Não sei se vou conseguir...

- Você vai! Estarei aqui para ajudá-la!

- Muito Obrig...

BANG!!!

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