segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

CAPÍTULO 5

Tex errou. Franziu a testa e enxugou o rosto suado. Queria muito matar aquela menina que havia dado fim ao seu cavalo. Correu pelo meio das árvores, observando as duas garotas que se esgueiravam mata adentro. Mirou novamente o velho revólver na direção das pernas de Bucetélia. Queria ferí-la para se divertir com a garota antes de eliminá-la de vez. Adorava fazer as garotas sofrerem. Disparou.


PLING!

Algo feito de metal ricocheteou na bala. Tex não entendeu direito. Atirou novamente e o mesmo ocorreu. Quase perdeu as meninas de vista dessa vez, mas conseguiu se posicionar melhor para tentar mais alguns disparos. No entanto, parecia que suas balas desviavam a trajetória. O que poderia ser? Pensou.

      - Melhor desistir – Disse um homem que apareceu à sua frente.

      - Quem é você? - perguntou Tex, meio assustado.

      - Estou à serviço daquele que é responsável pela sua existência.

      - E quem seria ele?

      - Aquele que não tem nome.

      - Como assim não tem nome?

      - Por que seres assim não são nomeados, eles apenas existem – disse o cavaleiro com tom exaltado. Ele era forte, alto e carregava uma espada longa e pontiaguda. Tinha olhos vermelhos e cabelos loiros e compridos. Umam armadura fina feita de um metal resistente o protegia.

      - E o que esse ser quer de mim?

      - Meu senhor solicita sua presença imediatamente...- disse, em tom misterioso.

      - O que ganharei em troca? - Tex, sempre pensando em termos monetários.

      - Você não perderá sua vida.

      - Como ousa falar isso!? - gritou, para em seguida puxar do seu revólver e efetuar vários disparos à queima roupa na direção do cavaleiro. Este conseguiu se desviar de todos eles e rebateu os tiros com a espada. Numa velocidade incrível ele conseguiu chegar à frente de Tex e segurar em seu pescoço.

      - Você acha realmente que pode me matar? - disse sorrindo, em tom debochado. Começou a apertar o pescoço do caubói com força, deixando-o de joelhos.

Tex apenas emitiu alguns gemidos de dor. Estava quase desfalecendo diante daquela força descomunal.


      - Está assustado comigo, não? Ganhei essa força e habilidades do meu senhor. Se quiser o mesmo, faça o que eu mandei sem pestanejar. Vamos até nosso mestre e irá se tornar um outro homem. Diga sim se quiser viver!

      - Sim! - confirmou Tex, exaustou e sentindo muita dor.

      - Então vamos o mais rápido possível até ele.


Sumiram no horizonte.



Chapeuzinho estava quase desmaiando. Bucetélia sofreu pra conseguir ajudar a sua companheira a caminhar. O veneno era forte a ponto de fazer todo o corpo da guerreira arder como se estivesse pegando fogo.


      - Não estou aguentando – disse Chapeuzinho lamentando o momento difícil.

      - Conseguiremos chegar até sua casa, aguente! Está muito longe?

      - Falta mais um pouco. Talvez mais uns 20 minutos caminhando.

      - Viu, estamos próximas! Não se preocupe, vamos chegar lá a tempo. Os tiros cessaram. Acho que algo aconteceu com aquele sujeito chamado Tex que nos perseguia.

      - Quando eu sair dessa vou dar um jeito de acabar com aquele desgraçado!

      - Quem é ele afinal?

      - É um mercenário, traficante de cogumelos e bebidas. Um crápula ordinário. Já matou muitas pessoas que se endividaram com ele.

      - Eu o vi matar a Branca de Neve e os Sete anões...Aliás, seis, porque um deles ficou desacordado na grama.

      - Eles não prestavam também. Muita coisa nesse mundo não presta. Ninguém entende direito o porquê de todas essas coisas negativas acontecerem. - afirmou, enquanto fazia cara de dor.

      - Só sei que preciso chegar até o tal mago que irá revelar o meu caminho de volta pra casa. Quero também recuperar minha memória.

      - Você vai...ai...- desmaiou.

      - Chapeuzinho!!! Não!!! Como vou fazer agora? Estávamos muito perto...


Olhou para todas as direções e só enxergou árvores e arbustos. Não sabia onde ficava a casa da amiga e não tinha como carregá-la. Pegou nos dois braços da encapuzada e foi a arrastando na mesma direção na qual antes caminhavam. Fez isso por uns 10 minutos e cansou. Não sabia mais o que fazer. Sentou ao lado do corpo desfalecido e esperou. Ouviu ao longe uma espécie de buzina. O som foi se aproximando cada vez mais. Logo percebeu que se tratava de um sujeito que pedalava uma espécie de bicicleta de quatro rodas. Ele trazia um saco imenso na parte de trás do veículo.


      - Boa tarde minha jovem! - O homem magro, narigudo, branco e calvo a cumprimentou.

      - Boa tarde! - respondeu, muito curiosa.

      - Eu sou o Zé Mascate, vendo qualquer coisa pelo preço de meio quilate! Posso ajudá-la em alguma coisa?

      - Minha amiga aqui está envenenada e precisamos ir até a casa dela o mais rápido possível. O problema é que ela desmaiou e eu não sei ao certo onde fica a tal residência.

      - Zé Mascate pode lhe ajudar! Tenho aqui comigo uma bússola mágica que diz exatamente a direção de qualquer coisa que você perguntar. Onde encontro cogumelos alucinógenos? A bússola responde!! Em qual direção fica a casa dos porquinhos construtores? A bússola responde! Quer saber ainda em qual direção se encontra o Asilo de Oz? Isso não é problema pra você quando está com a bússulo mágica!! - disse tudo isso com um sorriso largo no rosto, típico de vendedores.

      - O problema é que eu não tenho dinheiro para lhe pagar...- afirmou, em tom de lamentação.


O homem observou Bucetélia atentamente. Pegou uma lupa, e examinou cuidadosamente cada parte de nossa heroína. Guardou a peça na sua bolsa. Voltou a observar a garota, colocou a mão no queixo. Coçou a orelha direita. Franziu a testa.


      - Você é uma moça muito bonita. Posso fazer uma proposta irrecusável a você! - anunciou com certa empolgação.

      - E qual seria a proposta? - Bucetélia perguntou com um pouco de receio.

      - Tenho muitos clientes que compram fotos de garotinhas nuas. Sou também um fotógrafo nato. Se deixar que eu tire cinco fotos nuas de você, minha querida, a bússola é sua!


Oh minha nossa! Pensou Bucetélia. Que situação constrangedora. Nunca tinha se exibido para um homem. Não sabia ao certo como agir. Porém, não podia deixar a pobre Chapeuzinho, que havia lhe salvado a vida duas vezes, morrer assim...E o tempo estava passando. Ela se culparia para sempre se perdesse sua amiga. Pensou, pensou e decidiu:


      - Tudo bem! Apenas cinco fotos e a bússola é minha...E mais uma coisa: você nos leva até a casa da minha amiga após o instrumento nos revelar o caminho!

      - Com todo o prazer! Eu não seria um homem honrado se fizesse o contrário.


Zé Mascate tirou uma câmera fotográfica da mala. Disse:


      - Por favor, pode se despir.


Bucetélia tirou o casaco. Ficou um pouco apreensiva, olhando para aquele sujeito esquisito que a observava e que apontava a câmera para sua pessoa.


      - Tire tudo, por favor!


Ela começou a tirar seu vestido. Ficou só de roupa de baixo. Abaixou a alça esquerda do sutiã. Depois a alça direita. O abaixou totalmente, revelando um par de seios perfeitos, rosados, brilhantes. Tinha um corpo moreno e liso, sem defeitos. Braços e coxas bem torneadas. Tudo estava no lugar. Seus cabelos negros e ondulados deslizavam pela sua pele macia. Começou a abaixar sua calcinha. Escorregou-a por entre as pernas. Tirou-a totalmente. Estava completamente nua.

      - Vamos, tire logo essas fotos! Seja rápido!

      - Calma, calma! Você tem que fazer poses sensuais. Tente parecer natural. Confio em você!


A jovem se inclinou um pouco, e jogou o cabelo para o lado. Zé mascate tirou a primeira foto. Depois ela virou de costas e se aproximou de uma árvore. Outra foto. Deitou no chão e segurou os seios, cruzando as pernas de lado. Mais uma foto. Sentou e segurou os joelhos, descansando a cabeça num dos ombros. Ainda outra foto. Fez como se estivesse engatinhando, como se fosse uma felina. Zé Mascate tirou a última foto.

      - Perfeita! Você deveria entrar para o ramo!

      - Agora o prometido! - Disse, enquanto colocava sua roupa rapidamente.

      - Tudo bem, promessa é promessa! Tome a bússola. Faça a pergunta necessária a ela. Mas concentre-se!

      - Tudo bem.


A menina se concentrou e perguntou:


      - Em qual direção fica a casa de Chapeuzinho?


A bússola apontou para uma direção determinada.


      - Vamos logo, nos leve o mais rápido possível para lá!

      - Você que manda!


Os dois colocaram a garota desmaiada em cima do saco que estava na parte de trás do veículo. Chapeuzinho tentou se acomodar numa das partes da frente, perto de Zé Mascate. Era uma espécie de cano grosso. Era muito desconfortável. No entanto, o que importava era salvar a vida de Chapeuzinho.

Zé Mascate pedalou rápido e forte na direção para a qual apontava a bússola. Em pouco tempo avistaram uma casinha de madeira um tanto quanto rústica. Bucetélia correu até a casa e conferiu para ver se a porta estava aberta. Não estava!


      - Precisamos arrombar! Você consegue?

      - Eu tenho um martelo mega-esmaga 3000. Usado nas montanhas Tinouaca para quebrar rochas duríssimas.

      - Isso deve servir. Não quero destruir a porta, mas somente dar um golpe na fechadura suficiente para que possamos abri-la.


Bucetélia segurou o martelo especial e desferiu um pequeno ataque na fechadura. A porta abriu.


      - Ajude-me com a Chapeuzinho. Vamos levá-la para dentro!



Carregaram a moça até o interior da casa. Bucetélia começou a procurar pelo tal antídoto. Lá dentro havia cabeças de lobos EMPALHADAS, peles de animais, uma mesa, uma cadeira, uma lareira e uma prateleira cheia de frascos, além de uma cama e um baú fechado com cadeado. Bucetélia foi até a prateleira e começou a ler os rótulos dos frascos de vidro. Ficou uns dois minutos procurando. Logo achou um deles que continha a descrição: “Antídoto para veneno de lobos. Aplicar diretamente no coração com uma seringa e agulha”.


Nossa heroína começou a procurar por seringa e agulha. Abriu as gavetas e vasculhou apressadamente. Não demorou muito para achar. Colocou o conteúdo do frasco na seringa. Ajeitou a agulha.

      -O que você vai fazer!? - perguntou Zé Mascate.

      - Tenho que aplicar no coração...

      - Vou fechar meus olhos. Não gosto dessas coisas!


Bucetélia mirou bem o coração da amiga. Se ajeitou. Concentrou. Num golpe rápido acertou o coração de Chapeuzinho.


Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh! - Gritou a menina, arqueando o corpo.


Bucetélia se admirou com a eficácia do antídoto!


Chapeuzinho ficou ofegante. Demorou um pouco para respirar normalmente. A palidez do rosto começou a desaparecer. Sua cor natural foi voltando paulatinamente. Foi retomando a consciência. Reconheceu sua casa. Olhou para Bucetélia e deixou escorrer uma lágrima.


      - Você salvou minha vida! Obrigada! - disse sorrindo, emocionada. A lágrima chegou até seu queixo e pingou no chão. Chapeuzinho se levantou e chegou bem perto de Bucetélia.

      - Era o mínimo que eu poderia fazer – afirmou, sorrindo e também se emocionando com a situação. Zé Mascate apenas olhava para as duas, entendendo que aquele era um momento especial.


Bucetélia e Chapeuzinho se abraçaram. Ficaram por vários segundos abraçadas daquele jeito. Os coraçõezinhos estavam palpitando rapidamente. Zé Mascate se despediu:


      - Adeus meninas! Se quiserem comprar algo eu estarei naquela parte da floresta onde me encontraram!


        - Obrigada, muito obrigada Zé Mascate! - respondeu Bucetélia!

        - Eu também agradeço muito! Adeus!


O magrelo saiu da casa de sentou na sua bicicleta. Deu a primeira pedalada e...


AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH!


Um machado rachou seu crânio. Bucetélia e Chapeuzinho se olharam. Falaram ao mesmo tempo:

- Oh, não!

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